segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

gosto tanto dele


Ontem fiquei triste. Fiquei triste porque o Frank estava triste. Digam-me quão normal é um rapaz de 23 anos chorar em frente a toda a gente por causa de uma rapariga? Não é normal. Mas é para o Frank. É porque ele um menino de ouro, uma pessoa cinco estrelas. Só me apetecia abraçá-lo e dizer-lhe que ia ficar tudo bem! Gosto muito dele, mas não queria abusar da pouca confiança que ainda temos, por isso limitei-me a sorrir e a dizer-lhe que a chorar os olhos dele ficam ainda mais azuis. Arranquei-lhe um sorriso e fiquei feliz com isso.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

dapv - coadoção

Sem rodeios, deixo-vos com a minha participação do desafio Deixa as Palavras Voarem desta semana!




Olá, o meu nome é Matilde. Não foi com este nome que nasci, mas é este nome que os meus pais me colocaram. 
Se vos dissesse tudo o que tivemos de sofrer para neste momento estarmos juntos, vocês ficariam chocados. Mas, infelizmente, é isto que vivemos no nosso país. Os meus pais tiveram de mover mundos e fundos para poderem dar-me aquilo, que à nascença, já me deveria ser garantido - casa, amor, carinho e educação.
Nunca me faltaram com nada disso, mas em pleno ano de 2030, ainda há quem nos olhe de lado de cada vez que passamos na rua. Não é normal, dizem uns. Somos uma família estranha, atiram outros ao ar. 
Não somos, eu tenho 14 anos e eles têm 38! Qual é o mal nisto?
Ah, já sei. Eles chamam-se Miguel e Rafael. São dois homens. Não foram concebidos para amarem o seu igual, para terem filhos ou para viver. Crueldade de mundo...
São dois seres que espalham alegria e diversão a cada palavra, que transmitem carinho e amor a cada gesto.
Os meus amigos adoram-nos, alguns pais nem tanto, mas os filhos pedem para estarem em minha casa porque eles são fixes. E são mesmo, não falo por serem meus pais, falo porque é verdade. 
Falo porque não é um papel onde diz que sou coadotada pelo Miguel e pelo Rafael, que define o grau de parentesco entre nós. Eles são os meus pais, são as pessoas que me recolheram quando alguém, tido pela sociedade, como normal, me despejou em frente a um orfanato. 
Hoje cresci, tenho tudo o que tenho direito e ainda mais - dois pais que sabem ser pais, dois pais que sabem ser humanos, dois pais que me amam. E pergunto agora - não será o amor o mais importante motor do mundo?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

chamam-lhe de pouca sorte


Qual sorte, qual porcaria! Quem foi das primeiras pessoas que vi quando lá cheguei? Sim, exatamente, o Ryan. Com os seus amigos. Duas vezes! Penso que ele nem sequer me viu.
Amanhã vamos lá voltar por causa de uns papéis que se esqueceram de nos entregar. E amanhã vimos embora de autocarro, ele também vem, com certeza. Nem sei se lhe fale ou não...