Ando tão carente, tão frágil, tão sei lá como... Do nada choro, de pequenas coisas que vejo na televisão as lágrimas vêm-me aos olhos e escorrem-me pela cara sem o mínimo impedimento. Eu não era assim, mas a vida, as circunstâncias da vida, levam-nos a mudar e esta etapa da minha vida tem sido mesmo complicada.
As notas em si, não podia pedir melhor, relativamente ao meu esforço. Mas isso é o menos. O que me leva a estar da forma como estou e ando são imensas coisas mas a principal é fácil de entender - estou a acabar o 12º ano. E que mais isso significa do que o fim de uma longa caminhada?
Pois é, faltam dois meses para que a grande fase da minha vida se feche definitivamente. Não, não pretendo ir para a universidade. Não é por não querer, porque sempre o quis, sempre foi um grande sonho. Mas simplesmente não posso pedir mais aos meus pais, que tanto esforço fizeram para que eu fizesse o 12º ano.
Faltam dois meses para que o capítulo ou o livro de imensas amizades se fechem de vez e não mais se abram. Amizades de 3, de 8 e 12 anos terminem. E é isso que me custa mais: saber que daqui a dois meses não terei ninguém, fisicamente, com quem falar. Porque se em duas semanas de férias a única vez que recebi uma mensagem de alguém que eu considero uma amiga foi porque publiquei uma foto no instagram que lhe deixou com dúvidas. É, infelizmente, é este o ponto em que a maior parte das minhas amizades se encontram. Eu desisti de procurar pelas pessoas, porque percebi que eu já não lhes faço falta. Não vale a pena.
E faltam também dois meses para que outra etapa da minha vida comece - tenho de começar a procurar trabalho; a deixar partir aqueles que não merecem ter-me nas suas vidas ou que eu não os mereça na minha; ver gente que não merece, mesmo, entrar na universidade e tirar um curso só porque os pais têm dinheiro e vão poder esbanjá-lo em tudo o que quiserem; e começam as responsabilidades como a carta de condução, o meu carro, o meu dinheiro e tudo mais.

No meio de tudo isto, o que me custa mesmo é saber que 12 dos meus 18 anos de vida pouco ou nada vão servir para o meu futuro. Infelizmente este é o estado em que o nosso país se encontra e eu sou mais uma no meio de milhares de jovens com o mesmo ou pior problema. Mas se há coisa que eu aprendi neste último ano é que não podemos, não devemos, não temos, de nos deixar abater por isto, temos uma vida pela frente, muitas batalhas para combater, muitos medos por enfrentar, muitos filhos da mãe para nos importunar, muito trabalho para conseguirmos chegar aos nossos objetivos. Vamos sempre ter. Mas não podemos, em circunstância alguma, baixar os braços.
Eu sei que comecei este texto de outra forma, mas eu precisava de desabafar e de ao mesmo tempo vos mostrar, de certa forma, que independentemente da fácil ou difícil caminhada que tenhamos feito para chegar até aqui, que ainda há muito a fazer e que temos de erguer a cabeça e continuar em frente!